Unanimidade negativa nas rodinhas de designers (em um cafézinho ou uma cervejada), falo um pouco nesse post de Hans Donner, o famoso designer gráfico da Rede Globo.
Para manter um padrão ético a respeito de um companheiro de profissão, relato anteriormente a apresentação do próprio publicada em seu blog pessoal.
Hans Donner é um designer austríaco nascido na Alemanha - naturalizado brasileiro - responsável pela identidade visual da Rede Globo e pelo look-on-air da emissora por mais de trinta anos.
É um dos nomes que mais contribuíram para tornar o Brasil uma referência em termos de Design em nível global.
Contratado na década de 70 para formular a identidade visual da Rede Globo, criou a lendária esfera tridimensional da emissora, considerada hoje a marca mais valiosa do Brasil. Na década de 80 revolucionou a linguagem televisiva estabelecendo um padrão visual para vinhetas e animações que se tornaria a referência mundial na área.
Pois bem. Devidamente (?) apresentado de forma autobiográfica, explico por que falo dele. Há alguns meses a Rede Globo fez uma nova modificação em sua marca, é claro, com projeto de Hans Donner e só agora acabei me lembrando de comentar pois me deparei novamente com a antiga marca criada por ele para a TV e quis traçar uma linha evolutiva. Ou não, talvez.
Como designer e observador, costumo perceber que existe um pouco de confusão entre a busca de um estilo próprio e uma mera repetição de elementos e efeitos numa série de trabalhos. Talvez por falta de vontade, falta de força criativa ou até mesmo por causas sócio-culturais (deu certo, continuo sempre igual!) deixa-se de criar, de buscar a construção de coisas novas e úteis e passa-se a repetir em todos os trabalhos determinadas idéias, técnicas e efeitos que consagraram algum trabalho em especial.
A história de Hans Donner mostra muito isso com em seu portfólio de jobs. Considerado um grande ‘charlatão’ pela classe de designers moderna, Hans (que acredito sinceramente não ter criado o estilo que usa) passou a repetir aplicações visuais tridimensionais (mencionadas acima) em todas suas obras. Efeitos metálicos brilhantes, reflexos, muita prata, gradientes em arco-íris e contrastes gritantes são a assinatura de todo e qualquer trabalho que facilmente podemos reconhecer de sua autoria na TV.
Pessoalmente penso que se tivesse parado na marca desenhada em 1975, com apenas uma cor e formas limpas e angulosas representando a objetiva de uma câmera, Hans teria atingido um nível de síntese e qualidade gráfica muito bom. Porém, então já se manifestou nele a vontade de usar os brilhos e os degradês e creio que seu trabalho tenha tomado um rumo menos criativo.
Uma pena para ele, uma pena para a classe dos designers gráficos e, principalmente, uma pena para o povo brasileiro que é ‘obrigado’ a engolir dia após dia suas criações limitadas como arte genuinamente brasileira.
Por falar em povo brasileiro e obrigação, fica aqui uma dica:
"Brasil: Beyond Citizen Kane" (Muito Além do Cidadão Kane) é um documentário produzido por Simon Hartog, em 1993, para o Canal 4 da BBC, sobre a política de telecomunicações do Brasil, com foco na Globo de Roberto Marinho e sua poderosa influência sob o público e a política de nosso país.
Nunca ouviu falar? É claro que não. Nenhum canal no Brasil jamais pode apresentar o documentário pois a Rede Globo ganhou na justiça o direito de embargar qualquer divulgação. Mas graças à net fica aqui postado esse videozinho de 90 minutos. Noventa minutos de dinamite pura e despertar de consciências.
Para manter um padrão ético a respeito de um companheiro de profissão, relato anteriormente a apresentação do próprio publicada em seu blog pessoal.
Hans Donner é um designer austríaco nascido na Alemanha - naturalizado brasileiro - responsável pela identidade visual da Rede Globo e pelo look-on-air da emissora por mais de trinta anos.
É um dos nomes que mais contribuíram para tornar o Brasil uma referência em termos de Design em nível global.
Contratado na década de 70 para formular a identidade visual da Rede Globo, criou a lendária esfera tridimensional da emissora, considerada hoje a marca mais valiosa do Brasil. Na década de 80 revolucionou a linguagem televisiva estabelecendo um padrão visual para vinhetas e animações que se tornaria a referência mundial na área.
Pois bem. Devidamente (?) apresentado de forma autobiográfica, explico por que falo dele. Há alguns meses a Rede Globo fez uma nova modificação em sua marca, é claro, com projeto de Hans Donner e só agora acabei me lembrando de comentar pois me deparei novamente com a antiga marca criada por ele para a TV e quis traçar uma linha evolutiva. Ou não, talvez.
Como designer e observador, costumo perceber que existe um pouco de confusão entre a busca de um estilo próprio e uma mera repetição de elementos e efeitos numa série de trabalhos. Talvez por falta de vontade, falta de força criativa ou até mesmo por causas sócio-culturais (deu certo, continuo sempre igual!) deixa-se de criar, de buscar a construção de coisas novas e úteis e passa-se a repetir em todos os trabalhos determinadas idéias, técnicas e efeitos que consagraram algum trabalho em especial.
A história de Hans Donner mostra muito isso com em seu portfólio de jobs. Considerado um grande ‘charlatão’ pela classe de designers moderna, Hans (que acredito sinceramente não ter criado o estilo que usa) passou a repetir aplicações visuais tridimensionais (mencionadas acima) em todas suas obras. Efeitos metálicos brilhantes, reflexos, muita prata, gradientes em arco-íris e contrastes gritantes são a assinatura de todo e qualquer trabalho que facilmente podemos reconhecer de sua autoria na TV.
Pessoalmente penso que se tivesse parado na marca desenhada em 1975, com apenas uma cor e formas limpas e angulosas representando a objetiva de uma câmera, Hans teria atingido um nível de síntese e qualidade gráfica muito bom. Porém, então já se manifestou nele a vontade de usar os brilhos e os degradês e creio que seu trabalho tenha tomado um rumo menos criativo.
Uma pena para ele, uma pena para a classe dos designers gráficos e, principalmente, uma pena para o povo brasileiro que é ‘obrigado’ a engolir dia após dia suas criações limitadas como arte genuinamente brasileira.
Por falar em povo brasileiro e obrigação, fica aqui uma dica:
"Brasil: Beyond Citizen Kane" (Muito Além do Cidadão Kane) é um documentário produzido por Simon Hartog, em 1993, para o Canal 4 da BBC, sobre a política de telecomunicações do Brasil, com foco na Globo de Roberto Marinho e sua poderosa influência sob o público e a política de nosso país.
Nunca ouviu falar? É claro que não. Nenhum canal no Brasil jamais pode apresentar o documentário pois a Rede Globo ganhou na justiça o direito de embargar qualquer divulgação. Mas graças à net fica aqui postado esse videozinho de 90 minutos. Noventa minutos de dinamite pura e despertar de consciências.
Santo Google, buscai por nós...
Acima, a 'evolução' da marca Rede Globo...











